Arquivo para Agosto, 2008

Talentosa

Postado em Uncategorized em 28/08/2008 por biautopia

Humm… eu ainda não posso “oficialmente” contar… mas é difícil esconder o motivo que me trouxe (apesar dos pesares) uma alegria imensa essa semana.

Foi a prova de que dá pra conquistar seus sonhos sendo você mesma, fazendo as coisas com carinho, zêlo, amor e esforço (claro).

O mundo parece viver tentando provar pra gente que não dá pra conquistar certas coisas sendo “do bem”; já vi muito disso em vários lugares. Mas eu acho que encontrei pessoas que pensam como eu, e assim, qualquer caminho tortuoso parece valer ainda mais a pena. Aliás, sem essas pessoas acreditando em mim, tenho certeza que não teria conseguido.

Obrigada!

Resposta à Sau.da.de

Postado em Uncategorized em 28/08/2008 por biautopia

Eis que aqui, no apartamento cheio de lacunas e interrogações eu venho tentando evitar ainda certos cantos mais hostis da casa. Mas hoje eu vim encarar meu computador e dei as costas (literalmente) pro resto. E lendo sobre o que A.L.F. escreveu, bem, eu tentei, bem que eu tentei, não sentir dor de saudades. Mas ainda é cedo pra separar as duas coisas, dor e saudades ainda estão muito misturadas.

Tentei pensar no lado bom, mas ainda parecia que eu queria fingir algo pra mim mesma. Porque apesar do lado bom existir, a parte coerente da gente parece ser sublimada pela saudade dolorida.

O bom foi que eu já não sofri mais de uma maneira tão destrutível como antes. Eu já não queria mais mudar o passado ou o presente, mas confesso, deu vontade sim de viver de novo os momentos bons, os cheiros, as gargalhadas, as mini-coisas que eram só da gente. E ainda doeu muito pensar que essas coisas não voltam, que podem nem se repetir mais.

Dessa vez, porém, eu me senti um pouco mais inteira no final.

E no final, eu vejo que eu também vinha sentindo saudades de MIM, mas eu mesma nem sabia. A.L.F, obrigada por me lembrar disso. Como eu disse, obrigada por existir e trazer pra mim algumas verdades.

Sinta-se, de novo, abraçada.

:_)

Deixe em paz meu coração

Postado em Uncategorized em 24/08/2008 por biautopia

Já lhe dei meu corpo
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor…

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água…(2x)

Gota D’Água

Postado em Uncategorized em 24/08/2008 por biautopia

Foi pra casa mais tarde naquela sexta. Acabara de asistir a peça Gota D’Água. Sabia que o título era sugestivo.

Em casa, sabia que teria uma conversa difícil, mas não esperava o pior. Simplesmente não acreditava naquela decisão. Chorou. Muito. Como há tempos não fazia. Chorou em todos os cantos da casa, sempre no chão. Não lavou a cara, deixou tudo ali: desespero, lágrimas, rímel. Sentou no pufe da sala, em frente à varanda. Sentia frio, mas sentia um certo acalando no balançar das árvores ao vento. E ali, em algum momento do seu pranto, dormiu, querendo acreditar que, ao acordar, tudo não passaria de um pesadelo ruim. Mas não era. Acordou e tudo estava lá em seu rosto: desespero, lágrimas e rímel. Em algum lugar havia alguma esperança. Mas ele voltou ao assunto e foi arrancando a pontinha que existia. Em algum momento chegaram até a rir, ainda se abraçaram, trocaram cheiros. Ele disse que estava confuso, que precisava pensar sobre tudo. Disse não sabia se era aquilo mesmo, se era certo, mas que tinha que ir. Ela então pediu que ele fosse logo, pois sabia que só depois que ele partisse é que o coração se quebraria por completo. E só então que ela poderia pensar em juntar os pedaços e colar – apesar de não saber mais exatamente onde ficava cada coisa dentro do vazio de si. Passou a tarde doente, na cama de seu quarto. E à noite, ele decidiu partir.

Do quarto ela só ouvia a movimentação. O arrastar das coisas parecia rasgar qualquer coisa dentro dela. Sabia que ele levaria os instrumentos pois tinha show no dia seguinte. Entrou no quarto, pegou apenas uma roupa e saiu. De repente, ela ouviu a porta da sala batendo. Prendeu a respiração por uns 10 segundos… e desabou sendo engolida pelo próprio escândalo de seu pranto.

Foi até o quarto do escritório. Ele havia levado o computador. Aquilo pra ela parecia significar algo. Não aguentou. Gritava, chorava, falava sozinha, enlouquecia. Com as últimas forças, pegou o relógio de mesa dele e espatifou na parede. Sem forças, sentou ali mesmo e chorou as lágrimas que já nem tinha mais. Ali ficou até secar sua fúria com sua lágrima. Por muito tempo ficou paralisada, mal respirava, mal piscava.

Levantou, juntou todos os pedacinhos do relógio e deixou ali em cima, num lugar visível, pra se lembrar da burrice que havia feito de quebrar aquilo. Parecia que já estava um pouco mais recomposta. O telefone tocou, era seu amigo.

- Como vc tá?

- Tô triste. Ele foi embora. Não sei se é definitivo, mas ele foi. (chorando)

- Vamos sair, fazer alguma coisa?

- Tô sem carro, meu pneu tá furado e eu não consigo trocar sozinha. (chorando mais ainda por se sentir dependente pra trocar um pneu).

- Fica calma, vc não vai ficar sozinha não. Eu e Renan (outro amigo) tamo indo praí.

- Obrigada. Beijo.

Estava perdida naquele apartamento tão grande. Tentou começar a fazer coisas normais pra se distrair. Ligou a tv do quarto, depois a da sala, ligou o computador, fez pipoca de microondas e lembrou que não tinha comido nada. Ficou feliz por não ter sentido fome.

Os amigos chegaram, deram um abraço apertado e macio. Ela quis chorar, mas segurou. Foi melhor. Conversaram um pouco sobre tudo e nada. Riram e trocaram o pneu do carro ela. E fizeram ela sair e ver um pouco o mundo.

Eles a salvaram dela mesma.