Depois da odissséia que enfrentei para aprender a dirigir, achei que em matéria de automóveis, nada mais me assustaria nessa vida, até que vivi a experiência de dirigir um carro de câmbio automático. Nesse momento, “o pano caiu”.
Dias atrás estava eu com uma amiga no carro de rico dela, indo de nenhum lugar para lugar algum. Durante o caminho, entre as mais diversas fofocas ela ia homeopaticamente mostrando curiosidades sobre o funcionamento de seu belíssimo carro “de rico”. Eis que, de repente ela solta um “Bia, vai dirigindo a partir daqui”, e me salta do carro em pleno sinal fechado na rua das laranjeiras. Enquanto eu me debatia no banco do carona gritando “ei, ei, não, nããão, nãããããooo” minha amiga batia a porta do motorista e tranquilamente dava a volta por trás do carro, no mais puro silêncio e ensaiando um cínico risinho de canto de boca. Quanto vi que o sinal ia abrir, percebi q aquilo tinha deixado de ser brincadeira, botei pra fora meu lado “mini-macho-corajoso” e fui acelerando aquela carruagem divina, enquanto tentava, atrapalhadamente, tirar do pé o all star e a meia (eu só dirijo descalço).
Agora vc deve estar pensando que minha reação foi um exagero, pois dirigir um carro “sem marcha” é muito mais simples. Ok, em parte concordo. Sem esforço pra girar o volante, sem esforço pra passar marcha, sem esforço pra brecar (freios ABS)… Mas mesmo assim não tinha como eu não fritar de nervosismo dirigindo um possante daqueles. Me senti até gente. Acho até que mini-arrasei… mesmo não tendo conseguido estacionar na vaga.
No final da “excursão”, saímos do carro e dei um abraço na minha amiga, agradecendo a confiança e agradecendo (por incrível que pareça) esse puta susto que ela me deu.
Ai, ai… quando eu crescer quero ter um desses…
(P.S.: espero que esse texto signifique o marco da minha fase de blog “assuntos cotidianos”; enjoada de me and myself)



