A mulher tinha tinha medo também, desde o início teve medo, mas como “boa atriz” que era, fingiu não se abalar com o olhar daquela menina. Renegou, escondeu, evitou, seguindo todas aquelas regrinhas medíocres de “mulher inatingível” que já sofreu de uns bons amores por aí.
Mas aí, quando menos a mulher inatingível esperava, veio a menina, a atriz de verdade. Ela saiu das coxias, sem maquiagem, sem iluminação especial. Não havia sonoplastia, marcação de palco ou texto decorado. Em silêncio – porque não havia palavras pra explicar – despiu-se do “figurino defesa”, deixando ali suas armas de encenação e encantamento. E então a menina-atriz chorou. A menina tornou-se ali mais corajosa que a própria mulher – que até então se escondia atrás da tal estúpida máscara de inatingível. Então a mulher também chorou.
Mulher e menina, atrizes, choraram, riram e se consolaram por seus amores, seus medos e suas saudades.
Prefiro então partir (?)
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.
(Apesar do ainda medo, cansada de posts rascunhados e não publicados.)



