Arquivo para Agosto, 2009

Um Inocente e Belo Despertar

Postado em Uncategorized em 24/08/2009 por biautopia
Quinta-feira passada fui assistir ao espetáculo “O Despertar da Primavera”, o novo musical da dupla Moeller e Botelho. Foi a pré da pré gente, tô mto chique, né!? Eu já tinha lido algo a respeito do que se tratava a peça, mas, ainda sem entender exatamente o teor da coisa, me acomodei ali em meio ao Villa Lobos, LOTADO.
O palco foi invadido por um grupo grande de jovens que preencheram o palco com belas vozes e arranjos, um figurino lindo e delicado, boa interpretação , um toque de humor e muita, muita emoção. O resultado é que eu TENHO q assistir de novo. Jamais pude imaginar seria possível abordar questões como sexo de uma maneira tão intensa e ao mesmo tempo tão delicada. A gente vive em meio à tanta vulgaridade que se esquece como esse despertar do adolescente para o seu proprio sexo é algo, em sua essência, puro. A “maldade” vem na verdade de tudo aquilo de informação que nos invade e nos bombardeia de conceitos. A luta pela busca dos ideais era também uma constante do texto da peça, na qual os jovens contestam a igreja e seus dogmas. Morte, incesto, gravidez na adolescência, família, homossexualismo, amor, são assuntos que também sao encenados pelo elenco e, não por acaso coincidem também com tabus muito atuais.
O Despertar da Primavera me deu vontade de ser adolescente de novo, de poder voltar no tempo e fazer tudo diferente, Vontade de ter sido menos “besta” e mais autêntica, de ter usado a voz ativa de outra forma, vontade de ter errado mais em algumas situações e acertado mais em outras… deveria mesmo era ter CURTIDO mais. Enfim, o espetáculo foi pra mim um convite melancólico ao repensar sobre as escolhas que fiz. Aliás, eu acho que o principal problema do adolescente é ter que fazer escolhas importantes quando ele ainda não tem muito discernimento pra faze-las com bom senso. Entrar na faculdade por exemplo é escolher uma profissão, escolher a carreira que vai talvez sustentar a você e a sua família pro resto da vida. Isso é sério demais pra um jovem de 18 anos escolher, em meio a uma montanha russa de hormônios, não acha? Mas, na época em que se passa a peça em pleno final do século 19.
Envolvente, impactante, imperdível.
“O DESPERTAR DA PRIMAVERA”
TEATRO VILLA LOBOS – AV. PRINCESA ISABEL, 440 – COPACABANA (FINAL)
Horário: Quinta e sexta, 21h; sábado, 21h30; domingo, 18h. Em cartaz até 15 de novembro.
O Despertar da Primavera

O Despertar da Primavera

Quinta-feira passada fui assistir ao espetáculo “O Despertar da Primavera”, o novo musical da dupla Moeller e Botelho. Foi a pré da pré gente, tô mto chique, né!? Eu já tinha lido algo a respeito do que se tratava a peça, mas, ainda sem entender exatamente o teor da coisa, me acomodei ali em meio ao Villa Lobos, LOTADO.

O Despertar da Primavera

O Despertar da Primavera

O palco foi invadido por um grupo grande de jovens que preencheram o palco com belas vozes e arranjos, um figurino lindo e delicado, boa interpretação , um toque de humor e muita, muita emoção. O resultado é que eu TENHO q assistir de novo. Jamais pude imaginar seria possível abordar questões como sexo de uma maneira tão intensa e ao mesmo tempo tão delicada. A gente vive em meio à tanta vulgaridade que se esquece como esse despertar do adolescente para o seu proprio sexo é algo, em sua essência, puro. A “maldade” vem na verdade de tudo aquilo de informação que nos invade e nos bombardeia de conceitos. A luta pela busca dos ideais era também uma constante do texto da peça, na qual os jovens contestam a igreja e seus dogmas. Morte, incesto, gravidez na adolescência, família, homossexualismo, amor, são assuntos que também sao encenados pelo elenco e, não por acaso coincidem também com tabus muito atuais.

O Despertar da Primavera

O Despertar da Primavera

O Despertar da Primavera me deu vontade de ser adolescente de novo, de poder voltar no tempo e fazer tudo diferente, Vontade de ter sido menos “besta” e mais autêntica, de ter usado a voz ativa de outra forma, vontade de ter errado mais em algumas situações e acertado mais em outras… deveria mesmo era ter CURTIDO mais. Enfim, o espetáculo foi pra mim um convite melancólico ao repensar sobre as escolhas que fiz. Aliás, eu acho que o principal problema do adolescente é ter que fazer escolhas importantes quando ele ainda não tem muito discernimento pra faze-las com bom senso. Entrar na faculdade por exemplo é escolher uma profissão, escolher a carreira que vai talvez sustentar a você e a sua família pro resto da vida. Isso é sério demais pra um jovem de 18 anos escolher, em meio a uma montanha russa de hormônios, não acha? Mas, na época em que se passa a peça em pleno final do século 19.

Envolvente, impactante, imperdível!

O Despertar da Primavera

O Despertar da Primavera

“O DESPERTAR DA PRIMAVERA”

TEATRO VILLA LOBOS – AV. PRINCESA ISABEL, 440 – COPACABANA (FINAL)

Horário: Quinta e sexta, 21h; sábado, 21h30; domingo, 18h. Em cartaz até 15 de novembro.

Qualquer semelhança é mera coincidência

Postado em Uncategorized em 19/08/2009 por biautopia

Depois de assistir por duas vezes a peça “Vergonha dos Pés”, confesso ainda não me sentir à vontade pra escrever à respeito. Mas do jeito que a coisa me tocou, acho impossível que um dia consiga escrever com tranquilidade a respeito. Pois é, a peça me “incomodou”.  Muito.

Não há nada de extraordinário nos assuntos que são tratados (amor, sexo, relação homem X mulher, profissão, aspirações, medo, vergonha, solidão…). O lance é a maneira como é retratada a verdade: crua, limpa, íntima, legítima. Eu, que me identifiquei horrores, me senti completamente exposta, invadida. Enquanto alguns se divertiam e riam, eu me encolhia na cadeira do teatro estranhamente sentida e magoada com alguns dos diálogos nos quais me via, ali, despida e descrita “em cena”.

Apesar de dolorido, eu gosto de me confrontar com essas situações em que a vida me obriga a entrar em contato com meus anseios, dúvidas, devaneios, enfim, com o meu mais íntimo EU. É bom, melhor dizendo, é NECESSÁRIO. Mas dá medo…

Ana é uma jovem que que adora imaginar histórias, personagens e situações fictícias, nas quais muitas vezes ela coloca suas próprias angústias, medos e inseguranças. Descobriu cedo a sua sexualidade – e consequentemente a culpa – tem um pai ausente, uma mãe com quem não se relaciona bem e, no momento, se divide entre o medo de ser feliz com Jaime e a possibilidade de viver sua triste (mas já costumeira) solidão. Ao mesmo tempo que sofre por ser só, Ana parece entender que essa é a sua sina e que, não há grande amor ou grande felicidade que a faça sentir-se completa e bem resolvida.
Na fase que fica ali, entre os 20 e os 30, Ana se questiona a respeito de suas próprias aspirações emocionais e profissionais, com uma profundidade simples e ao mesmo tempo extremamente intensa. Sonha em ser escritora, mas vive a luta eterna entre o turbilhão de idéias que invade a sua mente e a preguiça e insegurança em transportar tudo pro papel (ou tela).
Bem, qualquer semelhança é mera coincidência…

Ana é uma jovem que que adora imaginar histórias, personagens e situações fictícias, nas quais muitas vezes ela coloca suas próprias angústias, medos e inseguranças. Descobriu cedo a sua sexualidade – e consequentemente a culpa – tem um pai ausente, uma mãe com quem não se relaciona bem e, no momento, se divide entre o medo de ser feliz com Jaime e a possibilidade de viver sua triste (mas já costumeira) solidão. Ao mesmo tempo que sofre por ser só, Ana parece entender que essa é a sua sina e que, não existe grande amor ou felicidade que a faça sentir-se completa e bem resolvida.

Na fase que fica ali, entre os 20 e os 30, Ana se questiona a respeito de suas aspirações emocionais e profissionais, com uma profundidade simples e ao mesmo tempo extremamente intensa. Sonha em ser escritora, mas vive a luta eterna entre o turbilhão de idéias que invade a sua mente e a preguiça e insegurança em transportar tudo pro papel (ou tela).

Abaixo, transcrição de um diálogo que encerra a peça de maneira categórica:

Sou uma pessoa solitária. Mesmo acompanhada, sinto-me só. É minha natureza, não sei que espírito ruim me possui, ou quais os males que estou pagando, só sei que não consigo viver feliz. E nem mais quero, pois sinto-me totalmente despreparada e sem talento para a paz. O que tenho é tédio, tédio de tudo e tudo mais. Quero dormir, mas não consigo. Quero levantar-me e andar léguas, mas um sono incontrolável se apodera de mim. Sou assim. Uma pessoa que, por algum motivo misterioso, aprendeu a sofrer e, gostando ou não, viverá sempre assim: sofrendo. Nenhum motivo mais será necessário, nenhuma dor, nenhuma perda. Apenas o dormir ou não dormir, o acordar e o nada a fazer, além de ficar na cama pensando sobre os meus pés e os pés de toda a humanidade. Eu, que nenhum talento possuo, que passarei pela vida sem ter cometido uma grande obra. Sem ser herói ou assassino. Passarei pelo mundo como os milhões que já passaram, os bilhões, trilhões de desconhecidos que não tiveram nada para deixar pro futuro. Milhares de rostos na sombra, no limbo. Cada qual dependendo de filhos, netos, bisnetos e tudo o mais, para serem relembrados. Porém a memória da vida de um homem médio não dura mais que três ou quatro gerações. Algumas pessoas são imediatamente esquecidas quando partem.

Partem para onde? Para onde eu irei quando morrer? Os que têm filhos vão para os porta-retratos. Viram mártires, porque os mortos são santos. Os mortos que têm família tornam-se flores num jarro. Retratos pintados à mão. Tornam-se algumas histórias engraçadas ou comoventes. Os mortos são dia de finados, dia de aniversário, Natal e nada mais. Mas já é alguma coisa. Mesmo que isso seja tudo o que uma pessoa ganha por ter vivido setenta anos ou mais, é alguma coisa. E para mim, o que sobrará de minha existência quando ela não mais existir? Isso! Não mais existirá. Nada. Nenhum filho ingrato a curar suas culpas, indo colocar flores no jarro sobre a minha lápide. Nenhum amor sofrendo; pela lembrança de minha juventude. Nem amigos contando histórias sobre porres inesquecíveis. Nada. Um dia encontrarão algumas fotos e cartões-postais numa caixa de madeira velha. Encontrarão restos de mim, em papel e anotações. Talvez um corretor imobiliário encontre minhas lembranças todas dentro de uma caixa velha de papelão. Um dia, talvez uma jovem curiosa, mexendo em papéis velhos numa feira de antiguidades, encontre fotos minhas. Eu, com minha prepotência e alma de escritor. Que nunca escrevi uma só linha que prestasse. Ali, na caixa de madeira ou papelão. Fotos de uma mulher que nunca quis ter filhos e não os teve. Fotos de uma mulher que não cultivou amigos, nem amantes eternos.

Rasgarei todas as minhas fotos quando sentir a morte chegar. Peço a algum Deus, caso exista e esteja me escutando: avise-me quando a morte estiver em meu encalço! Não serei eterna como aqueles que fizeram algo estrondoso. Não sou Proust, não sou Hitler, não sou nem mesmo o papagaio do Pirata da Perna de Pau. Sou Ana Delfina Amaral. Uma mulher que tem o nome nobre e talvez a alma também. Não tive pai para amar, tive mãe para odiar e algumas paixões. Sou Ana e pretendo rasgar as minhas fotos antes de morrer.” YOUNG, Fernanda. Vergonha dos Pés. 1996. Página 263/265.

Então, dorme com essa, dona Ana!